Saturday, July 16, 2011

POEMA

Rio Acauã, Acari, Rio Grande do Norte, Brasil

Acauã
Janduhi Medeiros

O Seridó, por muito tempo, teve
Suas terras cultivadas pela sabedoria dos Tarairius,
Da raça Tapuia, regadas pelas tribos
Canindés, Janduis, Arius e as águas do rio.

Era uma região de homens valentes,
Mas absolutamente livres, com os corpos
Pintados de liberdade e a pele enfeitada de penas
Extraídas das rapinas que sobrevoavam 
A coragem das serras.

Os filhos do sol habitavam e preservavam 
Com destreza o solo do céu azul;
O vento soprava as ribeiras ardentes,
Carregando a vida seminômade
Para a raiz das montanhas 
E oferecia à sobrevivência uma aldeia verdejante,
Rodeadas de desafios e graça,
Ao passo que a dança da flecha
Contracenava com o tempo.

Os castelos de Lisboa
Afiavam suas espadas nos altares da navegação
E, nas sacristias dos oceanos, 
Naus cortavam as ondas das descobertas
Como uma cruz ensangüentada.

O punhal das guerras chegou ao sertão,
Sangrando a veia frágil da vida,
E desejou uma terra sem filhos guerreiros,
Uma ribeira triste, onde as escamas do peixe
Passavam entre as pedras do inverno,
Lavando o escuro ferruginoso do sangue salpicado,
Enquanto tirava o gosto das lágrimas,
Para despejar nos mares da civilidade
As espumas negras da lâmina suja. 

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