Altar de Ferreirinha
Janduhi Medeiros
Ferreirinha,
Foi preciso muitos sábados
E muitas algazarras
Para atingir a glória,
Que o instinto social, sinceramente,
Nunca desejou!
Prosseguem os fregueses
Permanentes se divertindo com os frutos.
O outono sempre foi ingrato
Com o sertão.
Porém, os sábados e as bodegas,
Ferreirinha,
Andam de mãos dadas, atados
A começar dos picados do amanhecer
Até a boa bagunça
Que termina no entardecer,
De mãos dadas nas conversas,
Nas pingas, nos segredos,
Até reconhecer a sua porta,
Toda cidade e o seu templo de mãos dadas.
Ficou sem graça
O silêncio que a simulação fabricou,
Fugindo do calor da fraternidade.
Os sábados são preparados por feirantes
E aroma de coentros,
Mas a sua paciência e a fé de toda cidade
Precisavam se encontrar
Com todos brindando numa só taça,
Com filhos e convidados,
Sempre no altar que acolhe
Gerando comunhão.
No comments:
Post a Comment