Morro da Graça, centro, lugar de namoros arrochados e antiga Praça das 'Moças Velhas'
A Caicó que eu viGibson Azevedo, seridoense (texto e foto)
Foi uma torrente de alegrias... Vi tanta coisa que no íntimo gostaria de rever, que a princípio julguei estar sonhando. Além do quê, eu já fui imaginando várias situações possíveis do estado físico da grande cidade de agora: suas ruas, avenidas, largos, praças e bulevares. Fui imaginando também, como estaria o seu povo. Falo do caicoense que lá reside, pois que, vejo sempre alguns que moram na nossa capital. Sua gente continua o mesmo povo bom de antigamente. Infelizmente, a violência por lá também fez morada, corrompendo seus jovens, comprometendo-lhes a vida, solapando sem dó o seu orgulho. Mesmo assim, esta abominável onda de vício, que inapelavelmente leva ao constrangimento físico e moral, não conseguiu apagar os cristalinos caracteres da maioria dos seus habitantes. Aquele hábito de falar alto, desassombrado, e de conversar olhando no olho do interlocutor, não se utilizando de meias palavras - eufemismos escamoteadores. É muito gostoso, prazeroso até, trocar um dedinho de prosa com esta gente franca.
Fiquei maravilhado com o aspecto geral da cidade que conheci ainda provinciana. Edificou-se, dobrou o tamanho do seu perímetro urbano e tomou ares de cidade grande, com um sem número de ruas pavimentadas e asfaltadas. Percebi-as bastante arborizadas, talvez com o objetivo de amainar a inclemente canícula abrasadora dos meses de estio. Notei, de passagem, que Caicó conta hoje com boas e modernas Lojas e alguns importantes Centros comerciais. Conta também com boas Pousadas e Hotéis, bons Restaurantes com uma culinária de fazer inveja a todos quantos a visitam. Culinária de impecável sabor, herdada de matronas ancestrais que reinaram absolutas nos afazeres domésticos há muitas eras...
Os caicoenses são homens e mulheres de atitudes cavalheirescas..., de fina cortesia. E sua fé em N. senhora Santana, continua inabalável. Na realidade, para fazer-lhes justiça, aumentou naturalmente esta decantada devoção.
Não percebi, nesta minha visita, a prova da presença nociva de pichadores. Não vi aqueles horrorosos rabiscos, obra dos que agem sorrateiros, na calada da noite, a macularem paredes bem cuidadas e pedestais de indefesos monumentos. Ainda bem!... Entretanto, infelizmente, existe em Caicó uma terrível sujeira visual, enfeando os frontispícios de alguns dos seus prédios antigos, mutilando vergonhosamente sua beleza ancestral. Lamentável!... E bem diante dos olhos dos fazem os poderes públicos.
Por falar em poderes públicos, achei vergonhoso o que fizeram com aquele pequeno quadrilátero que existia frente ao Morro da Graça, e que, carinhosamente chamávamos de “Praça das moças velhas”. Simplesmente, deixaram construir no seu lugar uns trambolhos horrorosos, com pose de ponto comercial, sepultando um passado humano inesquecível, de muitos namoros arrochados, que segundo a língua jocosa do povo, computava-se como resultado daqueles chamegos noturnos, a cada ano, uns três ou quatro buchos (barrigas de grávidas).
No mais, salve Caicó! Vida longa aos seus filhos.
Natal-RN, 26 de julho de 2001
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