Por Xico Sá...
Capela da Sagrada Família, bairro do Vergel do Lago, subúrbio de Maceió, Alagoas, um dia quente de julho do ano da graça de 2011.
O noivo espera diante do olhar de um mal-acabado e resignado Coração de Jesus e de um inquieto vigário que não tolera atraso.
Depois de 45 minutos, o tempo de um jogo de futebol (naquele momento jogavam CRB e Fortaleza), a noiva adentra ao recinto. No embalo de uma valsa e do amparo do braço paterno, a moça chega ao altar.
O vigário dá um “confere” geral nos trajes da senhorita Enislene Alcântara, a Leninha, um quarto de século de vida, professora do ensino fundamental.
Observa o religioso que o decote traseiro descia até o limite da irresponsabilidade cristã, quase na bunda. Cofrinho.
Noves fora o julgamento sobre o bom gosto ou não das vestes, o septuagenário padre Jonas Mourinho desconfia que a pecadora esteja sem calcinha.
O padre cochicha no ouvido de uma noviça, que o ajuda na celebração. Até a tia mais fofoqueira da noiva silencia nesse momento. Não se ouve um pio dos convidados da cerimônia.
A noviça pega no braço da noiva e a conduz aos fundos da paróquia. Por ordem das autoridades religiosas, a noiva se despe. Uma linda. Certinha do lalau, como se dizia antigamente.
A noviça retorna e comunica o veredicto ao padre Mourinho.
O padre convoca os senhores pais. Sussura o ocorrido, sem que ninguém, nem os próprios noivos, saibam o que estaria em andamento.
Ao microfone, o vigário comunica, então, ao distinto público, que o casamento não seria realizado. Motivo: sem calcinha e com a região pubiana depilada a noiva profana descumprira o rito sagrado do sacramento.
A depilação a zero, segundo o padre Mourinho, seria um pecado a mais: “Os pêlos pubianos marcam a transição entre a infância e a vida adulta, portanto retirá-los seria realizar apelo pedófilo para a prática sexual”.
Como ainda chama a atenção a informante Paula Medeiros, a gueixa do sertão, o padre teria firmado, de punho próprio, no manual de casamentos da paróquia, as seguintes e novas regras morais: 1)“Noiva sem calcinha é satanás na cabecinha"; 2) "vagina careca é o diabo na boneca".
Parece broma ou drama rodriguiano. Por isso que é cada vez mais difícil ser escritor de ficção no Brasil. Mais difícil ainda saber o que é verdade ou mentira no marzão de histórias da internet.
Este "fato" nupcial, por exemplo, foi reproduzido, de forma mais objetiva e jornalística, por milhares de sites noticiosos no Brasil. É só conferir. Difícil agora desmenti-lo, mesmo que não pareça tão verdadeiro assim. Eu mesmo o adulterei, com as tintas do gonzo e do exagero, neste post.
No que acreditar ou ler como texto fictícios nos dias que correm?
Só sabemos que depois de todo o bafafá, a noiva se queixou de tara do vigário, que a devorou com os olhos que a terra biblicamente há de comer.
Agora ela pensa casar em um terreiro de umbanda, pois só acredita nos deuses que dançam.
O que você faria, amiga, se fosse posta em uma saia justa dessas? E você, amigo, no papel de noivo, o que faria com este desalmado vigário?
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