Tuesday, July 5, 2011

Deram parte ao guaxinim

Por François Silvestre...

Vejo nas folhas que uma instituição investiga benefícios auferidos ou a auferir por outras instituições. Só que a investigadora já recebe há muito tempo e de forma bem mais gorda o mesmo benefício.
Zé Galdino descobriu que haviam invadido seu galinheiro. Algumas de suas preciosidades de raça foram levadas, ficando apenas o sinal de algumas penas pelo chão.
Resolveu dar parte ao inspetor da lei, que era o dotô Guaxinim. Tal não foi sua surpresa ao encontrar, na inspetoria, o senhor inspetor com a boca cheia de penas.
Mesmo assim, o dotô Guaxinim não teve qualquer constrangimento na investigação. “Minha ética não me limita”. Disse, parodiando o personagem de Tenda dos Milagres, do velho Amado, ao ser questionado sobre a freqüência no Candomblé, mesmo sendo ateu e marxista. “Minha cultura não me limita”.
Tempo de éticas. No plural. Já que a Ética singular ficou presa na caixa de Pandora, fazendo companhia à esperança.
Para punir Prometeu, que roubara dos deuses o fogo da vida, Zeus decidiu uma vingança ardilosa, em vez da força. De cada um dos outros deuses ele retirou uma característica para formar a mais bela das mulheres, mistura de deuses, que deveria descer do Olimpo para conquistar e enganar Prometeu.
De Apolo, a harmonia. De Afrodite, a beleza. De Dionísio, a alegria. De Hermes, a sagacidade. De Atena, a sabedoria. De Crono, a noção do tempo. Do próprio Zeus, a autoridade. Seu nome seria Pandora. Que é feita de misturas.
Ela traria consigo uma caixa onde estavam contidos todos os benefícios e malefícios que passaram a habitar o planeta depois da sua visita. Até então, a Terra era neutra do bem e do mal.
Mas a caixa só poderia ser aberta por humanos. Nela estavam a paz e a guerra; a fartura e a fome; o amor e o ódio; a esperança e o desespero; o bem e o mal; a sabedoria e a estupidez. Prometeu não se deixou conquistar. Pandora então conquista o seu irmão que, inadvertido, abre a caixa.
Ao descobrir o que fizera, Epimeteu corre pra fechar a caixa. Era tarde. O bem e o mal estão soltos. Mas ele ainda conseguiu manter um benefício aprisionado. A esperança ficara presa. Ele nem percebeu que a ética estava escondida por trás da esperança.
Zé Galdino resolve fazer um galinheiro modelo. Trabalhou duro por muitos dias. Ficou tão bonito que recebia visitas. Até de Prometário, o ladrão de galinhas.
Numa noite de lua nova, Prometário visita o galinheiro para levar algumas penosas. Ocorre que havia um mourão ainda não fixado no solo. Ao tropeçar nele, parte do galinheiro veio abaixo.
Zé Galdino acordou com o barulho e gritou lá de sua casa: “O que foi isso”? Prometário respondeu também gritando: “Ora o que foi isso!? Foi seu serviço mal feito”! Té mais...

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