Xexéu Dias (foto), decano do Bar de Ferreirinha, contou esta numa rodada de cerveja.São as agruras de um homem que sente tesão, atração pelas mulheres, como nos velhos tempos de vadio profissional.
Só que a cabeça funciona, mas o resto do corpo...
Enfim, o pulso ainda pulsa.
Confira o relato dele:
Dia desses estava eu entrando no Banco do Brasil para ver se tinha restado algum trocado da aposentadoria.
Foi quando uma linda garota de uns 40 anos, minissaia, entrou na fila dos caixas.
Imediatamente sai da fila dos idosos e fui pra fila dela.
Em pouco tempo ela olhou para trás, sorriu e disse:
- Porque o senhor não utiliza a fila dos idosos?
Eu tive vontade de dar-lhe um tabefe, mas mantive a calma e usei toda minha experiência.
Puxei papo e resolvi inventar, para impressionar.
Falei das minhas experiências como banqueiro do bicho e dono de bar.
- Uau! O senhor é o Xexéu do Bar?
- Exatamente - respondi expressando uma certa indiferença, mas sentindo que tinha capturado a presa: era só abater e comer. - Nossa! E com essa sua pinta o senhor deveria agradar muito ao público feminino nas noites festivas de Caicó, né?
Boquiaberto só pude responder:
- Hã? - distraído, eu estava de olho fixo no decote da jovem que exibia, exuberantemente, seus lindos seios.
Ela me pegou no flagra.
- O senhor ficou vermelho! Ficou até mais bonito. Aliás, o senhor deveria fazer um teste na televisão.
Eu estava perplexo e apavorado: depois dos 80 isto acontece uma só vez antes da morte.
Aquele avião pronto para decolar e eu sem condições nem mesmo de efetuar o chek in.
Eu não sabia ao certo quanto teria na conta corrente...
Quanto estaria custando um viagra?
Onde poderia arrumar duzentão, até o dia do depósito do INSS?
Quanto estariam cobrando um apê no motel de Ari?
Será que se eu chamar um táxi pega bem?
Antes de ligar pra Bico de Luz, comecei a suar frio.
- Eu, artista de televisão?
- Sim! o senhor lembra aquele famoso galã dos anos 50, que minha avó me mostrou na revista "Rainha do Rádio". Ela tem verdadeira paixão por essas revistas. Adorava Marlene, Emilinha Borba... Deus nos livre de alguém mexer nas suas revistas. Ela guarda a sete chaves, com o maior carinho. O senhor é saudosista também?
- Sim! Mas, você ta me gozando. Galã dos anos 50?
- Verdade... não me lembro bem o nome, só sei que ele fazia filmes para o cinema, era muito famoso. Ma..Mário, não era. Era alguma coisa como... ah sim, tinha dois zes no nome.
- Mário Gomezz? - apelei
- Não, não era este o nome. Ahhh lembrei... Mazzaropi? Isto Mazzaropi! Mazzaropi era um galã, não era?
Nesta hora minha autoestima cresceu igual a rabo de cavalo, e foi pra baixo.
Puta que o pariu, quando ela disse que eu parecia galã dos anos 50, pensei num Paulo Gracindo, Paulo Autran, ou algum Antonio Fagundes da vida... mas, Mazzaropi?
Tudo bem, para pegar aquele avião eu ia de Mazzaropi mesmo.
O meu fabuloso programa da tarde só veio a acabar, quando ela, sem querer, derrubou um livro que tinha na mão.
Eu, como um verdadeiro cavalheiro, inventei de me abaixar para apanhá-lo.
Só que esqueci as recomendações de Dr. Sílvio Santos sobre minhas artroses e artrites, pra me abaixa de forma bem vagarosa.
Enquanto o livro descia, eu mais que depressa, inventei de pegá-lo na altura dos joelhos desnudos da jovem.
Só escutei a frase dela:
- Uau! que reflexo! Você parece um garotão!
Ouvi esta frase, e mais dois sons: um, o clique da minha coluna que travou no ato, e o outro o som estridente de um prolongado peido que, além de sinalizar a frouxidão do furico, lembrou-me da intensa dor na coluna.
E quem disse que eu conseguia endireitar o corpo?
Arqueado, tentava me endireitar e peidava.
Tentava, e novamente peidava.
Caralho, o pior é que há pouco eu tinha almoçado uma buchada.
Imagina o odor?
A jovem vendo que a situação não se reverteria, tirou os dois dedos que apertavam suas narinas, apanhou o celular, discou para a emergência da Unimed e colocou um fim no meu sonhado romance...
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