Thursday, June 23, 2011

As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridiculas

Loba


Escrevo-lhe prendendo a respiração. Agradecida e feliz por ter alcançado em mim a plenitude de você. Não mais com aquele amor profundo e repleto de sonhos. Aquele amor de alma que voejou dentro das suas entrelinhas. Ou o amor de carne que desejou ser verso em sua pele. Hoje, amo-lhe sem saudades do que não vivemos e com alegria por tudo que sentimos. Amo-lhe sem os resquícios dos dias tristes que nos distanciaram. Amo-lhe como beija-flor que sentiu o perfume de uma bela, mas inalcançável flor e nela aprendeu a equilibrar-se ao vento.Hoje, amo-lhe na amizade. 
Uma amizade que corre nas veias com a quentura do conforto e espalha-se pelo corpo qual abraço que protege. E sou-lhe grata pela vida que criamos, pelos sonhos que tecemos e por todos os sentimentos que você despertou em mim e que revelaram-me a mim mesma. Sou-lhe grata pelas noites mal dormidas, pelo choro não chorado, pelos olhos perdidos em horizontes ilusórios que fizeram crescer em mim a vontade de ser barco à deriva. Sou-lhe grata por dividir comigo a irrealidade de desejos que foi reflexo e espelho de uma melhor forma de ser e de estar.
Por tudo isso, reinauguro-me. E convido-lhe a fazer parte deste novo rio que sou e que caudalosamente corre para um mar que é feito do milagre de cada dia. Levo comigo as areias do tempo, as pedras dos delírios e os sonhos do alvorecer. Levo comigo a certeza de que serás sempre um grande amor...

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