Gargalheiras, Acari: o Mediterrâneo do Seridó - Foto: Roberto Fontes
Acari
Janduhi Medeiros
Oh, doce Gargalheiras do Seridó!
Berço de suave cidade, alva e serrana,
Onde o vaqueiro destemido
Repousa o seu sonho.
O generoso tempo esculpiu nas cordilheiras
Do rio de peixes belos rochedos,
Refletindo nas silhuetas dos anos
As ribeiras de Samanaú.
Antigos serrotes
Da terra árida solidificaram catedrais,
Primitivos lajedos do santuário tapuia
Sob os séculos das pedras e macambiras
Enquanto o gado arisco ia chegando
E se adaptando ao pasto do verão
Entre as catingueiras.
Novas famílias, novos filhos, docilmente
Traziam de outras terras hábitos de couro,
Couro curtido no sol,
Que nasce com seu gibão vermelho
Na cor do punhal, cor de sangue do artesanato,
Onde o galope da barragem despeja suas águas,
Seus pescados, nas areias ardentes do sertão,
Aliviando o leito espinhoso da sola.
As canoas navegam diferentemente das jangadas;
O dinamismo escultural de barroco,
Nos rochedos sagrados,
Consagram a firmeza do Gargalheiras.
Seus pescadores carregam na arte do calor
A dor do tempo e divide entre os irmãos o fruto da vida.
As serras passam por entre as nuvens,
Desenhando no céu o azul puro da tarde sertaneja.
Não são rochas jagunças
As que invadem o monte do Gargalheiras
Nem o escarlate fogo do sol e da sede;
São miragem das lavouras,
Fortes desejos de lavradores.
Sobre a pedra santa
Atravessa o luar de agosto,
Com sua procissão de peregrinos,
Sua luz de esperança,
Enquanto o amanhecer
Traz uma brisa afetuosa de montanhas.

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