Saturday, August 6, 2011

Mirem-se no exemplo da greve de sexo

Xico Sá

Contra a lerdeza ou a falta de audácia dos seus maridos, greve de sexo neles. Na Colômbia, historicamente sempre foi uma grande arma.
Agora mesmo, lá em Barbacoas, no sul do país, o mulherio adotou a operação “pernas cruzadas”. Nada de amorzinho gostoso até que as autoridades criem vergonha na cara e ajeitem uma rodovia criminosa que corta aquele “pueblo”.
É uma forma de pressionar os seus homens, que não se bolem, não agitam, não cobram o governo. Tudo fica por conta da força do gogó delas.
A região, encostada ao Oceano Pacífico, é conhecida como uma das mais calientes em matéria de sexo da América Latina. Não é lenda. Já estive por lá, a trabalho, gastando o meu portunhol selvagem.
Está na hora, e aqui solto o meu panfleto de todas as sextas, das mulheres de algumas regiões do Brasil adotarem essa prática.
Uma medida das mais velhas, que só renasce agora na Colômbia. A matriz da história está na Grécia Antiga. Mirem-se, sempre, no exemplo dessas mulheres.
Na peça “Lisístrata ou a Greve do Sexo”, escrita por Aristófanes, vemos como as fêmeas de Esparta, Atenas, Corinto e Beócia cruzaram as pernas pra forçar um acordo de paz em uma guerra que já durava duas décadas.
Se a abstinência sexual foi capaz de parar uma guerra, aqui no mundo tropicaliente é capaz de parar até construção da usina de Belo Monte.
É capaz de fazer esses machos viciadinhos em automóveis deixarem seus possantes em casa para fazer SP andar de novo. É capaz de fazer a gente esquecer aquele maldito mantra malufista: “Trânsito é progresso”.
Cruzando as pernas, as moças podem derrubar e nomear ministros na velocidade da luz.
Mirem-se em outro belo exemplo da Colômbia. Agora estamos na cidade de Pereira, há cinco anos atrás uma das mais violentas da área.
Cansadas da matança, naquela terra de bom café e sangrentos pistoleiros, as mulheres decidiram: sexo agora só quando os machões disserem adeus às armas.
Dito e feito. Quando viram que era para valer a greve, os homens amoleceram. A violência caiu quase a zero.
E você aí, estimada leitora, por que causa cívica deixaria os marmanjos em um jejum digno de uma quaresma?

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