

Escrita por Emanuel Jacobina com a supervisão de texto e consultoria de Carlos Lombardi e a colaboração de Nelson Madotti, Max Mallmann, Júlio Fischer e Cristiane Friedman; direção de Ricardo Waddington, Rogério Gomes, Fabrício Mamberti e Cláudio Boeckel; produzida pelo núcleo de Ricardo Waddington e Rogério Gomes e direção geral do primeiro. O autor escreveu 185 capítulos, sendo exibidos no ano de 2002.
SINOPSE
Preservação do meio ambiente e exercício da cidadania são os pilares de Coração de Estudante, história que marca a estréia de Emanuel Jacobina como autor de novelas. Apontada pelo diretor Ricardo Waddington como uma declaração de amor aos mineiros, a trama enfoca as relações humanas através de vários personagens. O principal deles é o professor de biologia Edu (Fábio Assunção), homem idealista que se muda com o filho Lipe (Pedro Malta) para a charmosa e fictícia cidade de Nova Aliança, em Minas Gerais, em busca de qualidade de vida. Edu é noivo de Amelinha (Adriana Esteves), filha do rico e ganancioso fazendeiro João Mourão (Cláudio Marzo), mas fica dividido ao se apaixonar pela sonhadora advogada Clara (Helena Ranaldi). Pai solteiro e dedicado, Edu procura estar sempre presente na vida de Lipe, e tenta mantê-lo afastado da mãe, Mariana (Carolina Kasting), cuja dependência química e conseqüente irresponsabilidade não lhe deram condições de criar o filho.
O futuro sogro de Edu, João Mourão, é o maior empresário de Nova Aliança: é dono de uma fazenda, um laticínio, um frigorífico e uma empresa de viação, todos batizados com o nome de sua falecida esposa, Vitória. Ele é a força motriz da economia do município e o maior empregador da cidade, exercendo grande poder sobre os habitantes. João desconfia dos verdadeiros interesses de Edu em relação à filha, implicância que só aumenta quando descobre que o rapaz é grande defensor da ecologia e das leis de proteção ambiental, o que o transforma em rival na briga por uma mata virgem cobiçada pelo fazendeiro e que há seis anos é alvo de disputa na justiça para virar área de proteção ambiental. Edu tem como aliada nesta briga Clara, filha de Lígia (Jussara Freire) e do experiente advogado Raul Gouveia (Marcos Caruso).
Clara é professora e responsável pelo escritório modelo do curso de direito da UENA (Universidade Estadual de Nova Aliança), onde Edu começa a dar aulas. Ela namora Leandro Junqueira (Marcello Antony), coordenador do curso de agronomia da universidade, carreirista que finge ser aliado do reitor Ronaldo Rosa (Leonardo Villar), mas, na verdade, é um espião de João Mourão no universo estudantil. Leandro é apaixonado pela namorada, com quem deseja se casar. A aproximação de Edu e Clara não agrada nem a Leandro nem à Amelinha, que se sentem ameaçados com essa amizade.
Clara e Edu realmente se apaixonam e vivem um romance que, além da interferência de Amelinha, é abalado pela chegada à cidade do promotor Pedro Guerra (Bruno Garcia). Sedutor e bem-humorado, Pedro Batalha – como Clara passa a chamá-lo – tenta de todas as formas conquistar o coração da advogada, que conta com a sua ajuda e da detetive Matilde (Claudia Lira) nas investigações sobre o passado de Mariana. Durante a trama, Clara começa a sentir-se em segundo plano na vida de Edu, envolvido nos problemas com Mariana, e abre uma brecha para um antigo pretendente, o filho do reitor Ronaldo Rosa, Júlio Rosa (participação de Marcos Palmeira).
No decorrer da novela, Mariana entra com uma ação judicial reivindicando a guarda de Lipe e, com a ajuda de Leandro, autor de várias armações para desmoralizar Edu, ganha o direito de ficar com o menino nos finais de semana. Para não perder o filho de vez, Edu se casa com Amelinha, apesar de amar Clara. A filha de João Mourão dá à luz Joãozinho, um bebê com síndrome de Down, abrindo a discussão sobre uma das principais ações de merchandising social desenvolvidas na novela.
Edu sempre relutou em deixar Lipe com a mãe, porque Mariana nunca aceitou fazer um tratamento para livrar-se da dependência química. Entre as ações irresponsáveis cometidas por Mariana sob o efeito de drogas, está o atropelamento de seu irmão, Joaquim (Marcelo Escorel), que ficou coxo após o acidente. Disposto a destruir a vida do professor, Leandro se envolve com Mariana e, no fim da novela, tenta levar Lipe à força para o exterior. O vilão, porém, é desmascarado pela própria Mariana, que participa de uma armadilha para que ele confesse seus crimes e vá preso. Coração de estudantechega ao fim com a união feliz de Clara, Edu e Lipe, enquanto Mariana finalmente aceita iniciar um tratamento contra as drogas.
Por seus valores de ética e justiça, Edu passa a ser uma grande referência para os jovens universitários da UENA, como os calouros Fábio (Paulo Vilhena) e Rafaela (Júlia Feldens), e os veteranos Baú (Cláudio Heinrich), Carlos (Rodrigo Prado), Cardosinho (Betito Tavares), Rosana (Alinne Moraes) e Bruna (Michele). Os estudantes vivem os dramas e as incertezas de quem está começando a vida adulta, passando por novas experiências e descobertas amorosas.
Nova Aliança é repleta de repúblicas, divididas por sexo. As principais são a Três Corações, liderada por Rosana, e a República das Bananeiras, comandada por Baú. Os calouros, conhecidos como “bixos”, são obrigados a realizar a maior parte das tarefas domésticas. Mas todos os estudantes, sem exceção, dividem seu tempo entre a rotina acadêmica e a agitada vida de baladas noturnas, farras memoráveis e conquistas amorosas. A requerida responsabilidade dos jovens que moram longe dos pais e seu amadurecimento para lidar com questões domésticas cotidianas como pagamento de contas e organização da casa estão presentes nas tramas dos estudantes.
João Mourão se desarma ao descobrir que Clara é sua filha, fruto de um caso com Lígia. A notícia desagrada Amelinha, que ganha mais um motivo para não gostar da advogada, e Raul, que se choca com a traição da mulher.
A novela também mostra o trabalho voluntário de Lígia, mãe de Clara, contra a evasão escolar. O tema é discutido através do personagem Zé (Ramon Francisco), filho de Beraldo (Mario César Camargo) e Raimunda (Dill Costa). Outra personagem de destaque é Esmeralda (Ângela Vieira), dona do bar Império, o point mais freqüentado de Nova Aliança, e com quem João Mourão tem um discreto namoro. Esmeralda é mãe de Matheus (Caio Blat), rapaz tido como problemático e rebelde. Na cidade também vivem o dentista Armando (Ricardo Petraglia); Sofia (Jéssica Marina), a caçula da família Mourão que possui dons mediúnicos; o prefeito Lineu Inácio (Paulo Figueiredo) e sua mulher, Rita (Alexandra Richter), uma sacoleira de luxo; e Nélio (Vladimir Brichta), capataz da fazenda Vitória. Adorado pelas crianças por suas brincadeiras e habilidade com animais, o peão Nélio é apaixonado por Amelinha, mas nunca assumiu seus sentimentos e sofre em silêncio com a chegada de Edu à cidade.
Nélio caiu nas graças do público e chegou a protagonizar um strip tease que deixou loucas as moças de Nova Aliança. Ao longo da novela, cansado de ser desprezado por Amelinha e de se sentir como objeto nas mãos das mulheres, ele coloca um anúncio nos classificados para arrumar uma namorada. Após receber várias cartas, marca encontro com uma candidata e descobre que ela é sua nova patroa, Esmeralda. Nélio ainda encontra um bebê em um cestinho de palha, com um bilhete apontando-o como o pai da criança. Enquanto quebra a cabeça para descobrir quem pode ser a mãe da menina Mabel (o bebê Giovanna Ribeiro), o rapaz se envolve em várias trapalhadas para cuidar da suposta filha, e conta com a ajuda de Esmeralda na empreitada. A mãe da pequena Mabel, porém, aparece para buscá-la, revela que Nélio não é o pai e que apenas a deixou temporariamente com ele porque não tinha como criá-la. No final da história, Nélio descobre que Joãozinho é seu filho com Amelinha, que faz uma declaração de amor ao peão.
Carlos Lombardi assumiu a consultoria da novela em junho de 2002, encarregado de dar maior agilidade à trama, que não vinha alcançando os esperados índices de audiência. Sua entrada provocou algumas mudanças, como a modificação do perfil de alguns personagens, a chegada de novos e a ênfase no humor. A entrada de Bruno Garcia e a transformação de Nélio, que virou um galã na história, fizeram parte das alterações.
PRODUÇÃO
A novela teve cenas gravadas em Tiradentes (Minas Gerais) e na fazenda São Fernando, em Vassouras (RJ), locação da fazenda Vitória. Nova Aliança ganhou uma cidade cenográfica na Central Globo de Produção (Projac).
Uma viagem de dois meses às cidades de Ouro Preto, São João Del Rei e Tiradentes ajudou as equipes de cenografia e produção de arte na reprodução dos estilos barroco e colonial mineiro nos cenários da novela. A cidade cenográfica contou com 34 construções, entre lojas, bares, restaurantes, sobrados, delegacia, escola e prefeitura, que ganharam o desenho e as cores de Minas. As placas de sinalização das repúblicas Três Corações e Bananeiras foram especialmente confeccionadas por artistas locais.
Um dos destaques da cidade era a igreja de Santo Antônio, réplica da igreja matriz de Tiradentes, que data do século XVIII e tem fachada projetada por Aleijadinho. Ao longo da trama, a construção fictícia foi sendo restaurada pelo estudante de arquitetura Carlos (Rodrigo Prado), como parte de seu projeto de formação acadêmica.
A festa de lançamento da novela foi realizada no Teatro Tuca (Teatro da Universidade Católica), em São Paulo, e incluiu o show Coração de Estudante, em que Milton Nascimento recebeu os convidados Lô Borges, Samuel Rosa e Beto Guedes.
MERCHANDISING SOCIAL
A abordagem dada à síndrome de Down foi a principal ação social desenvolvida pela novela. Amelinha, que, na sinopse, sofreria um aborto espontâneo após saber que estava grávida de um bebê com síndrome de Down, dá à luz Joãozinho e aprende a lidar com um filho nessas circunstâncias. A doença também foi enfocada através do personagem Osvaldo, vivido pelo ator Luiz Felipe Badin, portador da síndrome, que luta contra o preconceito. A novela desencadeou uma campanha para que os empresários investissem na contratação de portadores de síndrome de Down.
Também foram abordados na novela defesa do meio ambiente, reforma agrária, alcoolismo, incentivo aos estudos, gravidez na adolescência, estímulo ao uso de preservativo, trabalho voluntário comunitário, saneamento básico, higienização de alimentos e as conseqüências do uso de drogas.

Escrita por Carlos Lombardi com a colaboração de Vinícius Vianna, Filipe Miguez, Nélio Abbade e Sebastião Maciel; direção de Ricardo Waddington, Ary Coslov, Gustavo Fernandez, Marco Rodrigo, Paola Pol Balloussier e Paulo Silvestrini; produzida pelo núcleo de Ricardo Waddington e direção geral do mesmo. O autor escreveu 179 capítulos, sendo exibidos nos anos de 2006 e 2007.
SINOPSE
Pé na jaca narra a trajetória de cinco personagens centrais: Arthur (Vinícius Barcellos/Murilo Benício), Maria (Sofia Terra/Fernanda Lima), Elizabeth (Juliana de Souza Sampaio/Deborah Secco), Guinevere (Isabela Rocha/Juliana Paes) e Lancelotti (Djan Henrique/Marcos Pasquim). O primeiro capítulo da novela mostra o encontro desses cinco personagens ainda crianças quando, durante as férias, se divertem juntas na pequena e fictícia Deus me Livre, cidadezinha perto de Piracicaba, no interior de São Paulo. O encontro deixa marcas em todos os cinco, mas, com o passar do tempo, suas vidas se distanciam e eles perdem contato. Vinte e cinco anos se passam e os cinco protagonistas da história se reencontram num momento em que suas vidas estão passando por transformações. Todos querem consertar erros cometidos no passado e recomeçar.
Aos 33 anos, Arthur se deu bem na vida: tem um bom emprego, está prestes a assumir um cargo superior na corretora de valores em que trabalha e é casado com a estonteante Vanessa (Flávia Alessandra), com quem tem dois filhos, Maurício (Igor Rudolf) e Percival (Rafael Miguel). Seu grande rival é Juan (Bruno Garcia), um homem ambicioso e muito sedutor. Os dois trabalham juntos na empresa de Vilela (Paulo Goulart) e Juan vive tentando derrubar Arthur. Além disso, o mau-caráter é amante de Vanessa. Desonestamente, Juan consegue fazer com que Arthur perca o emprego e a credibilidade no mercado, arruinando sua carreira profissional. Sem dinheiro e com o nome sujo na praça, Arthur perde todos os seus bens. Ele decide ir morar com o único parente que tem casa própria: o tio José (Leonardo Vilar), dono de um sítio perto de Deus me Livre. Hipocondríaco, cheio de manias e longe do conforto e da agitação da cidade grande, sua vida se transforma inteiramente.
Arthur descobre que seu tio, cheio de dívidas, está prestes a perder sua propriedade para Último Botelho Bulhões (Fulvio Stefanini), o homem mais rico da região. Último é dono de uma enorme propriedade em Deus me Livre e da fábrica de cerveja de Piracicaba, a principal força econômica da cidade. Para defender seu patrimônio, Arthur decide brigar pela fazenda do tio José. Em Deus me Livre, Arthur reencontra Guinevére e se apaixona perdidamente por ela.
Guinevere é uma mulher batalhadora, sensível e linda. Para ganhar a vida, ela vende salgadinhos, lava roupa para fora, vende leite da vaca que mantém escondida no prédio onde mora, e ainda trabalha como sereia no parque de diversões da cidade. No início da história, Gui, como é conhecida por todos, é casada com Caco (Alexandre Schumacher), filho do poderoso Último. Caco tem uma péssima relação com o pai. Cresceu revoltado, cheio de rancor, e renunciou ao amor e ao dinheiro da família. Bebe muito, o que o deixa muito agressivo, e acaba sempre descontando a raiva que sente do mundo em Gui. Ela sempre acolhe o marido, tentando ser compreensiva, mas sofre muito. Durante uma discussão, Caco acaba caindo da janela do apartamento dos dois e morre. Gui é acusada de assassinato e sua vida se transforma em um inferno. É nesse momento que ela reencontra Arthur, por quem também se apaixona. Para defender Gui da acusação de assassinato, Arthur conta com a ajuda da advogada Maria Celina (Daniele Valente), uma jovem atrapalhada que morre de medo de enfrentar um júri.
A vida de Elizabeth também virou de cabeça para baixo nos últimos tempos. Envergonhada em ser filha de mãe solteira, Elizabeth decidiu se dedicar à religião e entrou para o convento. Fria e amargurada, ela não aceita sua mãe, Laura (Betty Faria), a mulher mais sensual da cidade, ousada e dona do próprio nariz. Laura nasceu pobre, trabalha como costureira e foi mãe solteira três vezes. Teve um caso com Último, de quem Elizabeth pensa que é filha. Ainda no início da trama, Elizabeth se surpreende quando Último se aproxima dela, demonstrando o carinho que nunca teve. Aos poucos, ela descobre que o poderoso empresário está doente e precisa, na realidade, de alguém que possa lhe doar um dos rins. Como Caco não é um doador compatível, ele vê em Elizabeth sua única chance. Assim que consegue o que quer, Último volta a ignorá-la. A decepção faz com que Elizabeth torne-se mais amargurada ainda. Um dia, Último passa mal e ela não o socorre, deixando-o morrer.
A morte de Último movimenta a vida de todos os personagens centrais da história. Elizabeth mostra-se a principal interessada na herança do suposto pai, para surpresa de outros familiares, como Maria Clara (Silvia Pfeifer), irmã de Último, e seu marido Átila (Alexandre Barros), e a prima Morgana (Betty Lago). Morgana é mais um personagem importante na história. Aparentemente, é só a prima pobre da família Botelho. Não se casou, não se formou e não construiu nada seu. É uma mulher amarga que, num dia de tempestade, foi atingida por um raio que a deixou com uma mecha branca em seu cabelo. Por isso, tem a fama de ser uma bruxa. É governanta dos Botelhos Bulhões, uma empregada de luxo da família.
Com a morte de Último, Elizabeth abandona definitivamente o convento e, longe do hábito de noviça e do jeito de menina, transforma-se numa mulher sensual e ambiciosa, disposta a tudo para ficar com a herança de seu suposto pai. Sua ira vai se concentrar em Maria (Fernanda Lima), sobrinha de Último, a quarta personagem central de Pé na Jaca.
Maria perdeu o pai muito cedo e sempre foi muito mimada por todos da família, especialmente pela cozinheira Carmen (Lolita Rodrigues). Depois das férias quando todos se conheceram crianças, Maria voltou a se encontrar com Lance aos 13 anos de idade, quando foi passar as férias na fazenda do tio, em Deus me Livre. Os dois se apaixonaram e viveram uma linda história de amor. Após três anos juntos, terminaram o namoro e se separaram novamente. Linda e exuberante, Maria tornou-se uma modelo reconhecida internacionalmente. Casou-se com Jean Luc (Peter Ketnath), um nobre francês com quem teve uma filha, a encantadora Isabelle (Sofia Terra). Morando em Paris, Maria sempre se manteve longe dos assuntos que envolviam sua família. Com o fim do casamento e a morte do tio, ela volta ao Brasil disposta a lutar pelo que é seu.
Enquanto Maria seguia sua carreira profissional e tocava sua vida afetiva, Lance nunca se recuperou daquela paixão de adolescência. Desiludido com o fim do namoro, ele cometeu inúmeros excessos: se envolveu com péssimas companhias, bebeu muito, se meteu em inúmeras encrencas e se deslumbrou com uma vida sem compromissos e responsabilidades. Por conta de seu comportamento, Lance entra em choque com o pai, Giácomo (Elias Gleiser), e com o irmão, Tadeu (Rodrigo Lombardi), este último, um homem responsável e honesto. No passado, Lance se envolveu com Dora (Carla Marins), sua vizinha em Deus me Livre. Ela engravidou e os dois acabaram se casando. Lance tenta organizar sua vida depois do casamento e do nascimento do filho Marquinhos (Miguel Rômulo), mas não consegue. Ele acaba abandonando a mulher e o filho e se muda para São Paulo. Lance não pára em emprego algum e vive seduzindo todas as mulheres que cruzam o seu caminho. A única coisa que ele manteve ao longo desses anos foi a paixão por Maria e pelos esportes. Para poder trabalhar como professor, Lance falsificou um diploma de uma faculdade de Educação Física. Acabou se envolvendo numa confusão ao dar aulas para a mulher de um delegado que armou um plano para colocá-lo atrás das grades. Sem alternativa, ele decide fugir de São Paulo para escapar da cadeia. Sua vida dá outra reviravolta e Lance acaba indo para Paris. Lá, ele reencontra Maria e a paixão entre os dois explode novamente. O encontro muda sua vida e ele decide começar tudo do zero. Disposto a reconstruir sua vida, Lance volta para Deus me Livre com Maria.
Outros personagens importantes na história são a família Tanaka, descendentes de japoneses, formada por Mitiko (Cristina Sana), mãe de Rosa (Daniele Suzuki) e Mario (Dan Nakagawa). Rosa sofre com a opressão de sua mãe e de seu irmão, o delegado da cidade.
A padaria de seu Giácomo também reúne outros personagens da trama. Ali trabalham Tadeu, seu filho, e Leila Aparecida (Fernanda de Freitas), sua futura nora. Leila Aparecida é irmã de Elizabeth, uma jovem sensual e interesseira. Tadeu é o filho sério e responsável de seu Giácomo. O irmão Lance sempre foi sua maior referência e depois que ele desaparece no mundo, a vida de Tadeu perde um pouco a graça. No início da trama, ele é noivo de Leila, mas, no decorrer da história, acaba se envolvendo com Dora, sua ex-cunhada.
O pequeno parque de diversões da cidade é outra referência na trama. O proprietário do lugar, Cigano (Chico Anysio), acaba dando abrigo a Lance quando ele chega em Deus me Livre. Ali, trabalham Mimi (Érika Evantini), a mulher barbada e cartomante, e Pipoca (Duda Azevedo), um ajudante geral. Cigano diz ser romeno-polaco, apesar do sotaque pernambucano. Ele vive em uma cadeira de rodas e é cego, mas há quem diga que é mentira. Apesar da decadência do parque, Cigano toca o empreendimento com firmeza e leva sua pequena trupe na ponta do laço, fazendo todos tremerem de medo de suas caras feias. Apesar disso, tem um bom coração. Cigano acaba se transformando em um segundo pai para Lance quando ele precisa de abrigo.
A história dá uma reviravolta quando é revelado que Último teve um filho com Irina (Maria Estela), mãe de Maria. Irina era casada com o irmão de Último, mas, após a morte do marido, casou-se com o cunhado Último, para desespero da filha que nunca confiou no tio. Ela engravidou, mas acabou dando a criança, pois Último havia prometido entregar o filho a Merlim (Bruno Mazzeo/ Humberto Martins), um homem misterioso e muito ambicioso. Todos querem descobrir a identidade do herdeiro da fortuna de Último e Morgana toma a frente das investigações. Juan, Lance e Arthur são os principais suspeitos. Enquanto isso, Elizabeth vê seu mundo desabar quando a mãe revela que Último não é seu pai verdadeiro. A vilã faz de tudo para a verdade não vir à tona, mas não contava que sua irmã Leila ouvira a conversa e guarda a informação para usá-la em momento oportuno.
Elizabeth envolve-se com Juan, mas percebe que ele não a ama. Ela decide se unir à Vanessa para terminar com o relacionamento de Arthur e Gui e a loira aceita a proposta. Apesar de se envolver com muitos homens, Vanessa é apaixonada por Arthur e não se conforma em tê-lo perdido para Gui. A tia de Vanessa, Gioconda (Arlete Salles) é outro personagem importante na trama. Prática e muito muquirana, ela criou Vanessa desde criança e sempre ensinou a sobrinha a dar valor ao dinheiro, acima de tudo. Engraçada e cheia de personalidade, Gioconda tem um grande amor por Vanessa, por Arthur e por seus filhos. Em determinado momento da trama, Vanessa fica grávida e jura que o filho é de Arthur. Gui se decepciona e acaba se afastando de seu grande amor.
No mesmo momento, Maria passa a ter crises de dupla personalidade. Numa dessas crises, ela se insinua para Tadeu e diz a Lance que não se casará com ele, pois terá que sustentá-lo. Lance fica arrasado e encontra consolo nos braços de Gui, que também está decepcionada por Arthur ter engravidado Vanessa. Com a aproximação, os dois acabam se envolvendo. Apesar da culpa, os dois não conseguem evitar a atração que sentem e, depois de muito conflito, assumem o relacionamento, mudando os pares românticos da história.
A trama tem uma nova reviravolta quando Lance descobre que tem poderes de cura. Durante uma apresentação no circo da cidade, ele consegue curar a dor de cabeça de uma mulher da platéia. Cada vez que Lance cura a dor de uma pessoa, ele passa a sentir aquela dor. Lance descobre que, na realidade, tem um tumor cerebral e isso está fazendo com que ele desenvolva tal sensibilidade. O médico comunica que ele tem apenas seis meses de vida.
Leila revela que Elizabeth não é filha de Último e Morgana a expulsa da mansão dos Botelho Bulhões e a demite da fábrica. Sem nada e sem o apoio de ninguém, Elizabeth é obrigada a dormir no banco da praça. Aos poucos Elizabeth vai enlouquecendo. A situação se agrava quando ela tenta matar a mãe e Tadeu. Morgana decide interná-la em um sanatório. Após muito sofrimento, Elizabeth se arrepende de tudo o que fez e decide dar a volta por cima. Ela deixa o sanatório e procura o convento onde foi noviça. As irmãs arrumam um emprego para Elizabeth, que passa a dar aulas para crianças.
Outra revelação que é feita nos capítulos finais da novela envolve Maria e Morgana. A governanta da família Botelho Bulhões revela que é mãe de Maria e explica que a entregou para Irina criar porque era muito nova quando ela nasceu. Morgana diz que fez tudo por amor à filha, e as duas se abraçam, emocionadas.
No último capítulo de Pé na Jaca a identidade do filho do poderoso Último Botelho Bulhões é revelada: trata-se de Cândido (Ricardo Tozzi). Sobrinho do tio José, mudou-se para o sítio depois da morte de sua mãe. Simpático e muito devagar, Cândido não tem responsabilidades e não se preocupa com nada, nem mesmo em ajudar seu velho tio com as tarefas do sítio. Depois de saber que é herdeiro de uma fortuna, Cândido ainda termina a história ao lado de Vanessa, um mulherão que ele nunca pensou em ter ao seu lado.
O destino de Lance também só é revelado no último capítulo: depois de salvar a vida do filho Marquinhos – que morre, vítima de um plano de Leila e é ressuscitado graças aos poderes de seu pai – Lance desmaia e morre. Tadeu o leva para Cigano que decide usar sua força para fazer Lance voltar a viver. Como aconteceu com Lance e Marquinhos, Cigano consegue ressuscitar Lance, mas morre.
Curado do tumor e cheio de esperança de construir uma nova vida, Lance descobre que seu verdadeiro amor é Maria, a quem sempre amou desde criança. Paralelamente, Gui também descobre que não consegue viver sem Arthur e que seu envolvimento com Lance é mais por atração física. Gui e Lance se separam e correm para os braços de seus pares. Elizabeth, por sua vez, também descobre o amor ao se envolver com Deodato (Gero Pestalozzi) e reconquista a amizade de Arthur, Gui, Maria e Lance. No capítulo final da história, Vanessa dá à luz uma menina e Maria, a um menino.
PRODUÇÃO
Pé na Jaca teve cenas gravadas em Paris. As seqüências do reencontro dos personagens Lance e Maria agitaram a capital francesa. Foram gravadas mais de cinqüenta cenas, todas de ação, como a que Lance pula da Pont des Arts num barco de turismo que passava pelo rio Sena. Para essa gravação foram mobilizados 70 profissionais da TV Globo, entre elenco, equipe técnica, figurinistas, maquiadores e produtores. Uma equipe de uma produtora parisiense também acompanhou as gravações. Outras cenas também foram gravadas em locações especialmente escolhidas. Os principais pontos turísticos da cidade, como o museu do Louvre, a Torre Eiffel, a Place des Vosges, o Arco do Triunfo, entre outros, serviram de cenários para a história. Os profissionais da TV Globo embarcaram com uma tonelada de equipamentos e quase 800 quilos de roupas e acessórios para realizarem as gravações fora do Brasil.
A cidade de São Paulo também serviu de cenário para a novela. A mansão onde moravam os personagens Arthur e Vanessa foi gravada no Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Algumas cenas que mostravam o personagem Lance praticando remo foram gravadas na raia de remo da Universidade de São Paulo. Outras locações utilizadas pela equipe foram o mercado Municipal e o Parque Villa-Lobos, além das típicas ruas e arranha-céus da capital.
Para colocar em pé a cidade cenográfica de Deus me Livre foram construídos diversos cenários em uma área de 2500m² de cenário na Central Globo de Produção. A cidade contava com prédios, fazendas, corretora de imóveis, o sítio do tio José e o parque de diversões de Cigano.
O trabalho da equipe de caracterização modificou o visual de muitas atrizes. Juliana Paes, Deborah Secco e Flávia Alessandra, por exemplo, pintaram os cabelos com uma cor mais escura. Já Fernanda Lima clareou as pontas dos cabelos, deixando as raízes mais escuras, um visual moderno, como o perfil de sua personagem: uma modelo internacional, ligada às últimas tendências do universo da moda. O cabelo da personagem Morgana, papel de Betty Lago, que ganhou uma grande mexa branca em meio aos fios pretos, foi inspirado na madrasta da Branca de Neve. Não foi só a ala feminina que modificou o visual. Alguns atores também mexeram em seus cabelos para dar vida a seus personagens: Marcos Pasquim usou um aplique para viver o personal trainer, e Bruno Garcia cortou os cabelos bem curto, um corte inspirado no estilista americano Tom Ford.
Um dos grandes sucessos de Pé na jaca foi o figurino de Flávia Alessandra, a sensual Vanessa. Extremamente vaidosa, as roupas e os acessórios glamourosos da personagem viraram moda entre as telespectadoras. Um dos pontos altos do guarda-roupa de Vanessa eram os maiôs, sempre decotados e sensuais, combinando ou com calças justas, ou com saias e microshort. Outras peças que não faltavam em sua produção eram cintos dourados, óculos escuros grandes e salto alto, sempre. A equipe responsável pelo figurino se inspirou na moda dos anos 1980 para criar o visual da personagem.
A abertura de Pé na jaca foi uma atração à parte. Produzida em animação 3D pela equipe Videographics em parceria com a produtora Seagulls Fly e o estúdio Conseqüência, a abertura exibia vacas e outros animais de fazenda andando e dançando em duas patas, como humanos. Os animais dançavam ao som de Ridin’high, de Cole Porter, em versão especialmente gravada para a novela na voz de Zizi Possi.
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